segunda-feira, dezembro 07, 2009

telemaquia

em seu olho absinto tequila
sendo champanhe
me fazendo crer
que em algum lugar
existe um abismo
para enterrar a dor
um transe capaz de causar o mesmo efeito
do beijo que nunca dei
em sua boca
o périplo dos seus dedos do pé
me deixa louco

dança meu destino
toda encanto e luz
nesta noite de lua
acaricia seu corpo
por entre o azul
a chama dos seios
são olhos de fada
seu umbigo
a quinta grandeza
do meu desejo
que transforma toda a poesia
em puro silêncio



da série poemas ordinários

i

cri na rima redonda
abotoada em mim
o olho no escuro

sensível
tecida devagar
na sanha do gozo

a minha mão
estrela do ventre
quase o mar amargo

na constelação absoluta
o olho mugia
um longínquo desterro

lógico querer
inútil barganhar
mas cogito o erro

deixo o seixo
estrela cantante
em seu delta

o dito cínico
rio de navegação incerta


ii

a palavra que trago em mim
é o som do silêncio

pois a loucura

o destino que me apruma
é sina que assina a si própria

sem necessidade de resposta


iii

feliz a lua fiava
um terço de estrelas
desnuda a noite agonizava

prescrita dor sitia uma alegria
declama pranto todo amor um dia

frio sempre o amanhã à manhã
passado o pecado da palavra
que feridas nas feridas lavra


iv

no meu testamento
divino ser
tracei mapas de pranto

não tão ao léu
mas no papel
pereceu o encanto

mesmo que a vida
assim me venha
como vem
aos trancos

barrancos do meu céu
tendo sido túmulos
que espanto